O Brasil no Século 16

 

◄ Descobrimento do Brasil

 

Portugal tinha seus negócios na África e na Ásia. Colonizar o Brasil seria um processo gigantesco e levaria tempo. Inicialmente, Portugal buscou marcar e defender a posse da terra, que foi arrendada nos primeiros anos. Depois fundou-se modestas feitorias e entrepostos de troca do pau-brasil.

As terras brasileiras foram disputadas pelos europeus, a partir de 1504. Os franceses não aceitaram o Tratado de Tordesilhas (1494) e ocuparam vários pontos do litoral brasileiro, nas primeiras décadas do século 16. Nessa época, os portugueses dominavam as rotas do Atlântico e do Índico, com domínios em quatro continentes (Europa, América, África e Ásia).

1501 - No início desse ano chegou provavelmente a segunda expedição europeia ao Brasil, comandada pelo navegador português João da Nova. Segundo o regimento entregue por D. Manuel, João da Nova deveria fazer escala no Brasil, à caminho da Índia.

Primeira expedição exploratória, comandada pelo navegador português Gonçalo Coelho, mas os registros a respeito são pouco claros. Américo Vespúcio participou como coadjuvante. Nesta expedição, vários pontos notáveis da costa brasileira foram batizados de acordo principalmente com um calendário litúrgico, uma tradição portuguesa, e marcos de posse da Coroa Portuguesa foram instalados. Essa foi uma expedição de grande valor histórico, pois constatou-se que as terras descobertas não eram as Índias, mas sim um novo continente.

Ao que tudo indica, em 1501, Porto Seguro já teria alguns habitantes portugueses trazidos naquelas três primeiras expedições: Cabral, João da Nova e Gonçalo Coelho. Seriam provavelmente degredados, como os dois deixados por Cabral. Teriam nascido assim os primeiros caboclos brasileiros, mestiços dos portugueses e dos brasileiros primitivos, tupiniquins e tupinambás. Porto Seguro, entretanto, não era uma região pacífica, entre os índios, e não se sabe como os primeiros habitantes portugueses se adaptaram ou se foram mortos.

1502 - Começou a exploração do pau-brasil (no Brasil), madeira de grande valor no mercado europeu. O pau-brasil era conhecido antes do descobrimento do Brasil e era utilizado principalmente como corante, devido à sua cor avermelhada.

1503 - Foi enviada a segunda missão portuguesa de reconhecimento, comandada também por Gonçalo Coelho. Essa foi também, a primeira missão colonizadora do Brasil, que formou dois povoados na Bahia: um em Porto Seguro e outro em Caravelas.

Conforme indicou Jaboatão, os primeiros missionários católicos no Brasil foram dois frades franciscanos menores da Província de Portugal Observante. Seus nomes são desconhecidos. Foram enviados, em 1503, para Porto Seguro, para catequizar os índios. Eles formaram o primeiro povoado brasileiro com a participação de europeus. Jaboatão relatou que existiam alguns portugueses juntos com esses missionários. Com a ajuda dos índios, construíram uma casinha, com sua pequena igreja da invocação do Seráfico Patriarca São Francisco. Jaboatão atesta ter sido esse o primeiro templo erguido em todo o Brasil. Essa primeira missão funcionou bem por cerca de dois anos. Porto Seguro abrigava também uma feira de escambo, em que os portugueses trocavam mercadorias com os índios. Jaboatão relatou, que, de acordo com as crônicas da Ordem, esse povoado pioneiro foi massacrado em 19 de junho de 1505. Esses frades foram os primeiros mártires europeus do Brasil, devorados pelos nativos.

A expedição de Gonçalo Coelho fundou também o segundo povoado brasileiro com europeus, em Caravelas, na Bahia. Lá fundou-se uma feitoria, deixado 12 peças de artilharia e 24 homens.

Uma das naus da expedição de Vasco da Gama, que retornava das Índias, carregada de mercadorias, perdeu-se na costa do Brasil, antes de agosto de 1503, de acordo com a carta de D. Manuel de 1505 (download, 83MB).

1504 - O primeiro relato de um navio francês na costa brasileira. Em janeiro desse ano o capitão francês Paulmier de Gonneville aportou em algum ponto do litoral brasileiro, provavelmente Santa Catarina, após um desvio de rota, quando seguia para as Índias Orientais. Gonneville partiu com seu navio L'Espoir, do porto de Honfleur, da França, em junho de 1503, acompanhado de dois navegadores portugueses: Bastiam Moura e Diogo Coutinho, contratados secretamente em Lisboa. Encontraram-se com os índios carijós, ergueram uma grande cruz de madeira, em uma colina, e retornaram à França, após cerca de seis meses, com Essomericq à bordo, um carijó, filho do chefe Arosca.

Essomericq educou-se na França e nunca retornou. Casou-se com uma das filhas de Gonneville, herdou seus bens, teve 14 filhos e morreu em 1583.

Os relatos da expedição de Gonneville sobre a abundância de recursos no Novo Mundo resultaram em novas expedições francesas ao Brasil, iniciando o ciclo de pirataria do pau-brasil.

1509 - Navegadores que passavam pela Baía de Todos os Santos referiam-se a um prestativo português, que habitava um povoado na Barra e que os ajudava em suas demandas. Os índios o chamavam de Caramuru. Diogo Álvares Correia, o Caramuru, é o patriarca da nação brasileira. Casou-se com a princesa tupinambá Paraguaçu. Sua atuação foi fundamental para a integração de índios e europeus durante os primeiros tempos da colonização do Brasil.

1512 - Por volta desse ano, o navegador português João de Lisboa chegou até o Rio da Prata. Em fevereiro de 1514, outro navegador português João Dias de Solis, a serviço da Espanha e em busca de um caminho para as Molucas, também navegou o Rio da Prata, mas foi devorado pelos charruas junto com outros tripulantes no mesmo ano. Os portugueses reivindicaram as terras da margem esquerda do Rio da Prata, que inclui o Uruguay, por quase todo o tempo da América Lusitana. Mais: História do Uruguay

1517 - Na Alemanha, Lutero publicou as 95 teses contra as Bulas de Indulgência. Nos anos seguintes, o Protestantismo ganhou espaço cada vez maior.

1521 - Subiu ao trono de Portugal o rei Dom João III, que reinou até 1557.

1528 - Catarina Paraguaçu, mulher de Caramuru, é batizada em Saint-Malo, na França, com o nome de Katherine du Brésil.

1530-1532 - Realizou-se a expedição de Martin Afonso de Sousa, responsável pela criação da primeira vila do Brasil, a de São Vicente. Nessa época, a Bahia de Caramuru já era o principal porto do Brasil e manteve tal posição até cerca de 1870.

Nos anos seguintes implantou-se o sistema de Capitanias Hereditárias, numa tentativa de colonizar o Brasil, de forma abrangente. Começou a formação política da América Lusitana.

1540 - Inácio de Loyola fundou o Ordem dos Jesuítas, que seriam os educadores dos brasileiros por mais de duzentos anos.

1541 - O explorador espanhol Francisco de Orellana realizou uma expedição, em busca do mítico Eldorado, e descobriu o Rio Amazonas para os europeus. O conquistador desceu o Rio desde os Andes peruanos até a foz no Atlântico, onde chegou em agosto de 1542. O batismo de Amazonas foi influência da lenda grega das mulheres guerreiras, as amazonas. Ele contou ter visto guerreiras semelhantes na região. O território descoberto foi chamado de Nova Andaluzia (parte da atual Amazônia) e Orellana recebeu o direito de colonizá-la. Retornou, em 1545, mas faleceu no ano seguinte.

1548 - Buscando um melhor controle sobre a América Lusitana, com muitos ataques de piratas franceses e rebeliões indígenas, Portugal decidiu implantar um governo central no Brasil. Dom João III comprou dos herdeiros de Francisco Pereira Coutinho a Capitania da Bahia para nela fundar a sede administrativa do Brasil. Em 17 de dezembro, Dom João III assinou o Regimento, a primeira constituição do Brasil, entregue a Thomé de Sousa, o primeiro governador do Brasil.

1549 - Nasceu o Brasil como unidade política, com a fundação da Cidade do Salvador e a instalação do primeiro Governo Geral.

Continuação do século 16:

Primeiros Governos-Gerais e União Ibérica

Os Jesuítas

Brasil no Século 17

 

O cartógrafo alemão Martin Waldseemüller batizou parte do Novo Mundo em seu planisfério, publicado em 1507. Colocou AMERICA em cima do Brasil.

 

Grandes Navegações

 

Brasil mapa antigo

 

A Torre do Castelo de Garcia d'Ávila em ilustração publicada em 1612. Localizada no litoral norte da Bahia, atual Praia do Forte, era usada para observação, comunicação e defesa. Serviu como uma importante referência para os navegadores da época.

A história da Casa da Torre, que teve a participação de Caramuru, começa com a chegada de Thomé de Sousa para fundar a capital do Brasil. Os nobres herdeiros de Garcia d'Ávila e de Caramuru tiveram grande influência na História do Brasil, ao longo dos séculos. Em meados do século 19, o Castelo foi abandonado.

As ruínas do Castelo e a Capela da Torre ainda se encontram no local e representam um dos mais importantes patrimônios históricos da América.

 

O século 16 começou em 1501. Entenda o calendário

 

Pesquisa Historia Brasil

 

Thome Sousa
Olinda seculo 16

 

Luso-brasileiro só depois da Independência do Brasil

O adjetivo luso-brasileiro não deve ser usado para questões anteriores à Independência, em 1822-4. A razão é que não se forma adjetivo composto com hierarquias diferentes. Alguns autores passaram a usar esse adjetivo composto para designar aqueles nascidos no Brasil, durante o domínio português. Mas está errado, pelo mesmo motivo que quem nasce, hoje, em Minas Gerais é mineiro (consequentemente, brasileiro) e não mineiro-brasileiro.

Antes da Revolução Francesa, no final do século 18, o conceito de nação e de nacionalidade era nebuloso. As pessoas eram súditas do rei, lutavam por ele e não explicitamente por um país, pois as terras pertenciam ao rei. Além disso, os territórios mudavam de dono com certa frequência.

Os textos da época não deixam claro a questão dos gentílicos, mas sabe-se que filhos de portugueses eram também considerados portugueses, mesmo se nascidos no Brasil, que era um estado lusitano. Entretanto, eram também brasileiros, sendo esse o gentílico regional, na época.

Na Biblioteca Lusitana, de 1752, por Diogo Barbosa Machado, os autores brasileiros eram também considerados portugueses.

A questão, entretanto, não é simples. Nacionalidade requer reconhecimento. Seriam holandeses os baianos, filhos de portugueses, nascidos durante a invasão holandesa?

Os índios, por exemplo, tinham identidade própria, suas próprias nações e viviam em conflitos com os colonizadores europeus. Os escravos não tinham cidadania portuguesa. Também existiam as populações dos quilombos. Tinha também os mestiços, que ficavam no limbo.

Em 1815, o Brasil foi elevado a Reino e assumiu a mesma hierarquia de Portugal, mas o problema dos gentílicos não acabou. D. João VI continuava a registrar que o Reino era dele e os habitantes, seus vassalos.

Na Península Ibérica, somente em 1812, o conceito de nação e os gentílicos correspondentes foram formalmente regulados, com a Constituição de Cádiz. A nação foi colocada acima do rei e estabelecia que o povo era constituído por todos os espanhóis do Império, tanto os peninsulares como os do ultramar.

O mesmo conceito foi adotado para os portugueses, em março de 1821, nas Bases da Constituição Política da Monarquia Portuguesa, que estabelecia que a Nação Portuguesa era união de todos os portugueses de ambos os hemisférios, o que incluía os brasileiros.

Hoje, pode existir, por exemplo, um evento luso-brasileiro, patrocinado pelas duas nações independentes.

Por Jonildo Bacelar

 

Manuel Nobrega
Garcia Davila

 

Historia Brasil

 

Brasil seculo 16

 

Copyright © Guia Geográfico - Informações Históricas do Brasil no Século XVI.

 

Historia do Brasil

 

 

 

Primeiro Mapa America