O Brasil no Século 16

 

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Portugal tinha seus negócios na África e na Ásia. Colonizar o Brasil seria um processo gigantesco e levaria tempo. Inicialmente, Portugal buscou marcar e defender a posse da terra, que foi arrendada nos primeiros anos. Depois fundou-se modestas feitorias e entrepostos de troca do pau-brasil.

As terras brasileiras foram disputadas pelos europeus. Os franceses não aceitaram o Tratado de Tordesilhas (1494) e ocuparam vários pontos do litoral brasileiro. Nessa época, os portugueses dominavam as rotas do Atlântico e do Índico, com domínios em quatro continentes (Europa, América, África e Ásia).

1501 - Primeira expedição exploratória, comandada pelo navegador português Gonçalo Coelho, mas os registros a respeito são pouco claros. Américo Vespúcio participou como coadjuvante. Nesta expedição, vários pontos notáveis da costa brasileira foram batizados de acordo principalmente com um calendário litúrgico, uma tradição portuguesa, e marcos de posse da Coroa Portuguesa foram instalados. Essa foi uma expedição de grande valor histórico, pois constatou-se que as terras descobertas não eram as Índias, mas sim um novo continente.

1502 - Início da exploração do pau-brasil. Mercadoria de grande aceitação no mercado econômico europeu, utilizada principalmente para a fabricação de tinturas.

1503 - Chegaram em Porto Seguro, junto com a segunda missão portuguesa de reconhecimento, comandada também por Gonçalo Coelho, os primeiros padres para catequizar os índios. São dois missionários franciscanos. Formaram o primeiro povoado brasileiro com a participação de europeus e provavelmente incluíram degredados. Construíram a Igreja da Glória, que teria sido a primeira igreja do Brasil. Entre de 1503 e 1506, este povoado foi massacrado pelos índios.

Essa segunda expedição fundou também o segundo povoado brasileiro com europeus, provavelmente em Caravelas, na Bahia. Lá fundou-se uma feitoria, deixado 12 peças de artilharia e 24 homens (veja o quadro verde abaixo).

1504 - O primeiro relato de um navio francês na costa brasileira. Em janeiro desse ano o capitão francês Paulmier de Gonneville aportou em algum ponto do litoral brasileiro, provavelmente Santa Catarina, após um desvio de rota, quando seguia para as Índias Orientais. Gonneville partiu com seu navio L'Espoir, do porto de Honfleur, da França, em junho de 1503, acompanhado de dois navegadores portugueses: Bastiam Moura e Diogo Coutinho, contratados secretamente em Lisboa. Encontraram-se com os índios carijós, ergueram uma grande cruz de madeira, em uma colina, e retornaram à França, após cerca de seis meses, com Essomericq à bordo, um carijó, filho do chefe Arosca.

Essomericq educou-se na França e nunca retornou. Casou-se com uma das filhas de Gonneville, herdou seus bens, teve 14 filhos e morreu em 1583.

Os relatos da expedição de Gonneville sobre a abundância de recursos no Novo Mundo resultaram em novas expedições francesas ao Brasil, iniciando o ciclo de pirataria do pau brasil.

1509 - Navegadores que passavam pela Baía de Todos os Santos referiam-se a um prestativo português, que habitava um povoado na Barra e que os ajudava em suas demandas. Os índios o chamavam de Caramuru. Diogo Álvares Correia, o Caramuru, é o patriarca da nação brasileira. Casou-se com a tupinambá Paraguaçu e gerou a primeira família brasileira registrada. Sua atuação foi fundamental para a integração de índios e europeus durante os primeiros tempos da colonização do Brasil.

1517 - Na Alemanha, Lutero publica as 95 teses contra as Bulas de Indulgência. Toma força o Protestantismo. A Igreja Católica toma várias medidas de grande efeito em países católicos, como Portugal e Espanha.

1521 - Sobe ao trono de Portugal o rei Dom João III, que reina até 1557.

1528 - Catarina Paraguaçu, mulher de Caramuru, é batizada em Saint-Malo, na França, com o nome de Katherine du Brésil.

1530-1532 - Realiza-se a expedição de Martin Afonso de Sousa, responsável pela criação da primeira vila do Brasil, a de São Vicente.

1534 - Cria-se as Capitanias Hereditárias, numa tentativa de colonizar o Brasil, de forma abrangente. Começa a formação política do Brasil Lusitano.

Construção dos primeiros engenhos de açúcar, quando se inicia-se também o tráfico de escravos africanos. Inicialmente pouco expressivo, o tráfico negreiro se estenderia pelos século seguintes.

1540 - Inácio de Loyola funda o Ordem dos Jesuítas, que seriam os educadores dos brasileiros por mais de duzentos anos.

1540-1542 - O explorador espanhol Francisco de Orellana realiza expedição em busca do mítico Eldorado e descobre o rio Amazonas. O conquistador desce o rio desde os Andes peruanos até a foz no Atlântico. O batismo de Amazonas é influência da mitológica lenda grega das mulheres guerreiras, as amazonas.

1548 - Fracassada a tentativa de colonização através das Capitanias Hereditários, Portugal decide implantar um governo geral no Brasil. O rei de Portugal compra dos herdeiros de Francisco Pereira Coutinho a Capitania da Bahia de Todos os Santos para fundar a sede administrativa do Brasil. Em 17 de dezembro, Dom João III assina o Regimento, a primeira constituição do Brasil, que deverá seguir Thomé de Souza, o primeiro governador do Brasil, durante sua administração.

1549 - Nasceu o Brasil como unidade política, com a fundação da Cidade do Salvador e a instalação do primeiro governo central. Somente a partir de então os portugueses conquistaram um pedaço de terra na América, com a subserviência local dos nativos. Antes era a Pindorama dos índios e os habitantes europeus tinham que negociar com eles para se estabelecer.

Colonização do Brasil ►

 

O cartógrafo alemão Martin Waldseemüller batizou parte do Novo Mundo em seu planisfério, publicado em 1507. Colocou AMERICA em cima do Brasil.

 

Grandes Navegações

 

Brasil mapa antigo

 

A Torre do Castelo de Garcia d'Ávila em ilustração de 1612. Localizada no litoral norte da Bahia, atual Praia do Forte, era usada para observação, comunicação e defesa. Serviu como uma importante referência para os navegadores da época.

A história da Casa da Torre, que teve a participação de Caramuru, começa com a chegada de Thomé de Souza para fundar a capital do Brasil. Os nobres herdeiros de Garcia d'Ávila tiveram grande influência na História do Brasil, ao longo dos séculos. Em meados do século 19, o Castelo foi abandonado.

As ruínas do Castelo e a Capela da Torre ainda se encontram no local e representam um dos mais importantes patrimônios históricos da América.

O Segundo Povoado Brasileiro com Europeus

Os registros desse povoado, uma feitoria, são conhecidos pelos textos de Américo Vespúcio, que acompanhou a expedição de Gonçalo Coelho, em 1503.

Em algum porto do litoral, provavelmente em Caravelas, na Bahia, foram deixadas 12 peças de artilharia e 24 homens.

Vespúcio cita em sua Lettera*:

Navegamos mais para diante [da Baía de Todos os Santos] duzentas e sessenta léguas, até chegarmos a um porto, onde determinamos fazer uma fortaleza, como com efeito fizemos [...] Está esta terra além da equinocial 18 graus, e 37 mais ao ocidente de Lisboa, segundo mostraram os nossos instrumentos...

A latitude de 18° coloca o referido porto próximo de Caravelas, litoral sul da Bahia. A longitude de Caravelas é de 31º a oeste de Lisboa e não 37º. Entretanto, erros maiores para a longitude eram comuns na época. Por outro lado, Caravelas fica a cerca de apenas 100 léguas da Baía de Todos os Santos.

Alguns autores preferem localizar o referido porto em Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Lá, no entanto, a latitude é de 23° e a longitude é de 34º a oeste de Lisboa. Além disso, Vespúcio não fez qualquer referência à Baia do Rio de Janeiro, que fica próxima e ele já conhecia da viagem anterior.

As referidas 260 léguas "para diante" depende da distância percorrida, mas provavelmente foi um erro ou um dos muitos e famosos exageros de Vespúcio em seus textos.

Caravelas é o local provável da feitoria, pois coincide com a medição mais precisa da época, que era a determinação da latitude, no caso, 18°.

* Referencia de C. Malheiro Dias, na História da Colonização Portuguesa do Brasil, Capítulo X (1923).

 

O século 16 começou em 1501. Entenda o calendário

 

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Luso-brasileiro só depois da Independência do Brasil

o adjetivo luso-brasileiro não deve ser usado antes da Independência do Brasil. A razão é que não se forma adjetivo composto com hierarquias diferentes. Alguns autores passaram a usar esse adjetivo composto para designar aqueles nascidos no Brasil, durante o domínio português. Mas está errado, pelo mesmo motivo que quem nasce, hoje, em Minas Gerais é mineiro (consequentemente, brasileiro) e não mineiro-brasileiro.

Antes da República, o conceito de nação e de nacionalidade era nebuloso. Durante o domínio português as pessoas eram súditas de El-Rei, lutavam por ele e não explicitamente por Portugal (que pertencia ao rei). Os textos da época não deixam claro a questão dos gentílicos, mas sabe-se que filhos de portugueses eram também considerados portugueses, mesmo se nascidos no Brasil. Entretanto, eram também brasileiros, sendo o gentílico regional, na época.

Brasil Lusitano. Por conveniência, podemos chamar de lusitanos aqueles nascidos fora de Portugal, mas em seus domínios, entretanto, essa distinção não era feita na época.

Essa confusão é recorrente na literatura brasileira. Alguns autores chegam ao ridículo de dizer, por exemplo, que Gregório de Mattos, que nasceu na Bahia, não era baiano, mas sim português. Bobagem, o poeta barroco era mesmo baiano, mas também era brasileiro e lusitano ou português.

Hoje, pode existir, por exemplo, um evento luso-brasileiro, patrocinado pelas duas nações independentes.

 

Manuel Nobrega
Garcia Davila

 

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