Thomé de Sousa

 

Thomé de Sousa nasceu em Rates, norte de Portugal, por volta de 1503. Filho bastardo e primogênito de João de Sousa e de Mécia Rodrigues de Faria. Neto do fidalgo Pedro de Sousa de Seabra, do Minho.

De acordo com Pedro de Azevedo (História da Colonização Portuguesa do Brasil, 1924), Sousa vem do nome de um pequeno rio no distrito do Porto, mencionado em documentos, desde o século 10, como Sausa. Uma família da região, com vastas propriedades, adotou o nome Sousa. No século 13, Martim Afonso (1250-1313), filho bastardo do rei D. Afonso III, casou-se com a herdeira da casa e tomou a descendência do nome.

Thomé de Sousa era primo de Martin Afonso de Sousa, de Pero Lopes de Sousa e do Conde da Castanheira, conselheiro do rei.

Seu pai, João de Sousa, teve oito filhos e foi o último prior do Mosteiro de São Pedro de Rates. Era padre, mas, na época, o celibato sacerdotal era uma questão não muito bem definida. Por época do nascimento de Thomé de Sousa, por exemplo, o papa era Alexandre VI, que constituiu família, sem ser casado, sendo cardeal. O celibato tornou-se claramente obrigatório somente com o Concílio de Trento (1545-1563).

Por volta de 1518, Thomé de Sousa mudou-se para Lisboa. De 1527 a 1528, serviu como fronteiro em Arzila, em Marrocos, onde liderou algumas entradas contra aldeias dos mouros. Em 1534, lutou no socorro a Safim, também em Marrocos, com seu primo Pedro Lopes de Sousa.

Em março de 1535, seguiu em missão para a Índia, comandando uma nau, na expedição de Fernando Peres de Andrade. Chegou na Índia em agosto do mesmo ano e regressou no ano seguinte.

Em 1537, tornou-se o primeiro comendador de São Pedro de Rates, pela a Ordem de Cristo. Posteriormente, trocou essa comenda pela de Arruda, perto de Lisboa.

Em 1538, estava casado com Maria da Costa, com quem teve a filha Helena de Sousa, sua única filha legítima, falecida em 1612. Sabe-se que Maria da Costa faleceu antes de 1559.

Com sua reputação de ser austero e excelente militar, por suas campanhas na África e na Ásia, o Conde de Castanheira o recomendou a D. João III.

Em novembro de 1548, Thomé de Sousa já estava indicado por D. João III, para ser o primeiro governador do Brasil, conforme indica a carta enviada a Caramuru.

Em 17 de dezembro de 1548, Thomé de Sousa recebeu, de D. João III, o Regimento em que se definia as normas pelas quais o Brasil seria governado.

Partiu para a Bahia, em 1º de fevereiro de 1549, deixando a mulher e a filha, em Portugal. Sabe-se, também, que Thomé de Sousa tinha dois filhos bastardos: Garcia de Sousa e Francisco de Sousa, ambos mortos na India*.

Sua expedição chegou no Porto da Barra, em 29 de março de 1549. Chegaram também os primeiros jesuítas, titulares da justiça, da fazenda e outros cargos burocráticos. Nos meses seguinte, Thomé de Sousa construiu a Cidade do Salvador, a primeira capital do Brasil.

Em sua competente administração, Thomé de Sousa concedeu sesmarias, organizou os sistemas de defesa, comércio e estabeleceu as bases para o funcionamento administrativo do Brasil, como unidade política. Em outubro de 1552, Thomé de Sousa viajou, em vistoria, pelas capitanias do Brasil.

Thomé de Sousa tinha um mandato de três anos como governador do Brasil, mas teve que aguardar até 1553 para retornar a Portugal. Somente nesse ano chegou seu substituto, Duarte da Costa.

Sua filha Helena casou-se com Diogo Lopes de Lima.

Thomé de Sousa passou seus anos restantes como conselheiro do Rei. Morreu em 28 de janeiro de 1579.

Deixou, para seus herdeiros, suas terras no Brasil, adquiridas após deixar o governo.

Representantes da Prefeitura de Salvador encontraram o túmulo do primeiro governador do Brasil em um convento na Vila Franca de Xira, na Grande Lisboa.

 

Monumento a Thomé de Sousa na Praça Thomé de Sousa, o sítio histórico, em Salvador, de onde ele governou o Brasil, no século 16.

A escultura é uma réplica, em bronze, da original existente no interior do Palácio Rio Branco, na mesma Praça, do escultor italiano Pasquale De Chirico (cerca de 1919). Essa réplica é uma obra do artista sergipano Vauluizo Bezerra, inaugurada em 1999, na Praça da Sé, pela comemoração dos 450 anos de fundação da Cidade do Salvador. Em julho de 2005, foi relocada para o local atual.

No pedestal de granito está uma planta da Cidade do Salvador, como era 1549, ano de sua inauguração. O monumento tem altura total de 4,05 m e a escultura de Thomé de Sousa tem 2,6 m.

 

Tome Souza

 

Por Jonildo Bacelar

 

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Arzila

 

Rates

Acima, a bela Cidade do Salvador, em 1848 (Martinet/Fredricks). Fundada por Thomé de Sousa, em 1549, Salvador era uma das maiores e mais importantes cidades da América, do século 16 até o início do século 19.

À direita, a torre da fortaleza de Arzila, do século 15, em Marrocos, onde serviu Thomé de Sousa de 1527 a 1528. Foi um domínio português de 1471 a 1550 e de 1577 a 1589. Thomé de Sousa adotou o mesmo sistema de comunicação dessa torre, em Arzila, no Castelo da Torre da Bahia.

 

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Cidade Salvador

 

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* Esses dois filhos são referidos em nota da Dissertação de Doutoramento em História, de Alexandra Maria Pinheiro Pelúcia: Martim Afonso de Sousa e a sua Linhagem (Universidade Nova de Lisboa, 2007), com o seguinte texto:

Reportando-se à visita de Martim Afonso de Sousa à fortaleza de Cananor, em Novembro de 1544, Diogo do Couto deu conta de que junto daquele estava «hum filho bastardo de Thomé de Sousa, [...] que lhe ficava em lugar de sobrinho, que lhe levava hum guião de Christo», cuja identificação omitiu - cf. Ásia, V, x, 8. Além de Garcia de Sousa, nascera ao futuro 1º governador-geral do Brasil outro rebento ilegítimo, baptizado como Francisco de Sousa. Visto que o único membro da armada de 1541 que tinha nome igual era o capitão da nau Santa Cruz, identificado por Georg Schurhammer como filho de João de Sousa e sobrinho de Bastião de Sousa, presume-se que o Garcia de Sousa citado numa única das listas de embarcados fosse o bastardo de Tomé de Sousa - cf. Francis Xavier..., vol. II, p. 83 e «Rol das pessoas despachadas e que tem licença del rey nosso senhor pera irem aa India este ano de 1541», pub. in CSL, vol. I, p. 159.

A autora complementa ainda:

- Francisco de Sousa: Recomendado pelo pai à proteção do governador D. João de Castro, na Índia (1545). Viagem para a Índia (1548). Provável serviço nas campanhas do vice-rei D. Afonso de Noronha (1553). Provável capitão da armada a Baçorá (1554). Capitão da armada do Reino-Índia (1559). Morto na Índia.

- Garcia de Sousa: Viagem para a Índia e serviço junto do governador Martim Afonso de Sousa (1541-1545). Recomendado pelo pai à proteção do governador D. João de Castro, na Índia (1545). Viagem para a Índia (1556). Morto na Índia.

 

 

 

 

 

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Pedro Lozano