Guerra da Independência do Brasil

No século 18, os portugueses escondiam o Brasil do mundo, em parte pelo receio do roubo de suas riquezas, mas também porque aquele século foi especialmente prolífico em revoluções culturais, conquistas de liberdade e mais poder para o povo.

O Brasil entrou no século 19 com aspirações independentistas. Os brasileiros sentiam-se reprimidos em suas aspirações comerciais e discriminados na ocupação de cargos.

Os movimentos por autonomia arrefeceram-se, por algum tempo, após a chegada da Família Real, 1808. Antes sufocado, o Brasil passou a respirar com a Abertura dos Portos, faculdades para profissionais liberais, impressão de livros e jornais, construção de grandes teatros e a visita de muitos artistas de fama internacional. Em 1815, o Brasil foi elevado à condição de Reino, com o mesmo status de Portugal e Algarve.

 

Entretanto, os portugueses, em Portugal, não apreciaram, em geral, a nova condição do Brasil e buscaram revertê-la, transformando o regime de governo em uma Monarquia Parlamentar, comandada pelas Cortes de Lisboa, desde janeiro de 1821. Em setembro, do mesmo ano, as Cortes determinaram que as províncias seriam comandadas por juntas provisórias de governo, eleitas nas próprias províncias. O poder do Príncipe Regente tornou-se simbólico, na verdade, as Cortes determinaram que o Príncipe não tinha lugar no Brasil. Os governos provisórios das províncias brasileiras despachavam diretamente com as Cortes de Lisboa.

Mas o Príncipe Dom Pedro, não tinha simpatias pelas Cortes de Lisboa. Em agosto de 1822, um rompimento com Portugal já era esperado em várias partes do Brasil.

Mais que isso, em 7 de agosto, o ouvidor e corregedor da Província do Rio Grande do Sul, José António de Miranda, enviou um ofício às Cortes de Lisboa, informando ter apresentado, ao governo provisório do Rio Grande do Sul, a demissão dos seus cargos, em consequência de ter recebido oficialmente o decreto que declarava a independência do Brasil e determinava que se retirassem os europeus que não quisessem seguir o sistema brasileiro (documento no Arquivo Histórico Ultramarino). O Governador do Rio Grande do Sul, o português João Carlos Saldanha Oliveira e Daun, pediu demissão, no mesmo mês, e retornou para Portugal, no final de 1822.

Em Sete de Setembro de 1822, quando o Príncipe bradou Independência ou Morte, marcou-se o rompimento de Dom Pedro com Portugal, resultando na Guerra de Independência.

O Brasil já estava dividido antes do Sete de Setembro. A luta armada no Recôncavo Baiano, o principal campo de batalha, havia começado em fevereiro de 1822. Piauí, Ceará, Maranhão e a Província Cisplatina, também registraram conflitos e luta armada até 1823.

Com o rompimento do Príncipe Regente com o Governo de Portugal, alguns governadores das províncias aderiram ao Príncipe, outros continuaram leais a Portugal. Dentro das províncias também houve divisão entre os oficiais, alguns queriam a Independência, outros, não. Um exemplo foi o da Paraíba, que aderiu à Independência, em 8 de outubro de 1822, mas não o Tenente Coronel de Cavalaria Antonio José Gomes Loureiro, que foi expulso de seu posto. O Coronel foi então para a Bahia, onde se concentravam as forças portuguesas, e queria embarcar para Lisboa, mas foi proibido pelo General Madeira. Conseguiu embarcar, como passageiro, na escuna mercante Marianna, mas foi capturado, em Caravelas, pelas forças brasileiras e cinco tripulantes da escuna foram mortos em um combate.

A expulsão dos portugueses da Bahia, em Dois de Julho de 1823, marcou o ponto de inflexão do processo de independência. A partir de então, ficou claro que era um processo sem volta.

Em fevereiro de 1822, as batalhas com os portugueses iniciam-se em Salvador. Em julho, uma canhoneira portuguesa situada na barra do Paraguaçu, alvejou a Vila de Cachoeira, na Bahia.

Forças políticas portuguesas exigiram o retorno do Príncipe Regente D. Pedro à Portugal. O Príncipe negou-se a sair do Brasil. Em Sete de Setembro rompeu com Portugal, iniciando a Guerra de Independência do Brasil.

Em dezembro, o príncipe foi coroado D. Pedro I, imperador do Brasil, buscando reconhecimento internacional para a causa da Independência.

As batalhas com os portugueses continuam no Norte, Nordeste e na Província Cisplatina. O palco principal da Guerra foi o Recôncavo Baiano.

1823

Em Campo Maior, no Piauí, ocorreu a Batalha de Jenipapo, em 13 de março, com mais de 300 mortos e centenas de feridos. A batalha foi vencida pelas forças portuguesas comandadas pelo major João José da Cunha Fidié. Os brasileiros continuaram com suas táticas de guerrilha e Fidié seguiu com seu exército para o Maranhão, acampando em Caxias, em 17 de abril. Em 20 de maio, os brasileiros iniciaram o Cerco de Caxias.

Na Bahia, os portugueses foram expulsos, em Dois de Julho, uma data fundamental no processo de Independência do Brasil.

Em 28 de julho, Lord Cochrane, após desembarcar em São Luís, anunciou a adesão do Maranhão ao Império do Brasil. Em Caxias, Fidié rendeu-se em 31 de julho.

No Pará, os portugueses renderam-se em agosto.

A última província a aderir a causa da Independência foi a do Rio Negro, atual Estado do Amazonas, em 9 novembro de 1823. A antiga Capitania do Rio Negro estava subordinada ao Pará e sua condição de província era questionável (foi considerada como parte da Província do Pará, por José Bonifácio, para a convocação da Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Brasil). O Rio Negro, entretanto, havia criado sua própria junta de governo, em 1821, e enviou um deputado às Cortes de Lisboa.

A Independência do Brasil foi um processo que se estendeu de 1822 a 1824. A adesão à causa da Independência foi em província por província. Aquelas cujo governo não aderiu, foram conquistadas, uma a uma. Essa questão ficou claro na Constituição de 1824, Art. 6, que estabelecia que seriam cidadãos brasileiros "Todos os nascidos em Portugal, e suas Possessões, que sendo já residentes no Brazil na época, em que se proclamou a Independencia nas Provincias, onde habitavam, adheriram á esta expressa, ou tacitamente pela continuação da sua residencia."

1824 - Estados Unidos, Portugal e Inglaterra, a maior potência da época, reconheceram o Brasil como nação soberana.

O Sete de Setembro é, mesmo, o melhor dia para se comemorar a Independência do Brasil, pela força do momento e pela coragem do jovem Príncipe, que agiu com apoio de seu pai, o Rei de Portugal. Ambos estavam praticamente destituídos de poder formal. Mas os brasileiros abraçaram o Príncipe para conquistar a Independência. Por ironia da História, Dom Pedro tornou-se também Rei de Portugal, quatro anos depois. Poucos, no Brasil, sabem que ele foi herói de duas nações. Portugal ergueu, em sua homenagem, o maior monumento a um soberano português, em Lisboa, como Dom Pedro IV, O Libertador. Após uma guerra civil, D. Pedro restabeleceu o governo constitucional, em Lisboa, usurpado por seu irmão D. Miguel.
 

Continuação do século 19:

Império do Brasil

Dom Pedro II

● 1864-1870, Guerra do Paraguay

● 1889, República

● 1896, Guerra de Canudos

 

Após a vitória de Pirajá, os brasileiros entram em Salvador, em Dois de Julho de 1823. Na foto, parte da tela Entrada do Exército Libertador de Presciliano Silva, 1930. O Convento da Soledade domina o pano de fundo. Acervo da Prefeitura de Salvador.

 

Vitoria Brasileiros

 

O Forte do Barbalho, em Salvador, o maior forte baiano era um reduto dos portugueses até Dois de Julho de 1823, quando o exército brasileiro tomou a Cidade. Nesse dia, o alferes José Adrião de Lemos, tomou posse do Forte, hasteou a bandeira do Brasil independente, pela primeira vez na Cidade, e comemorou a vitória brasileira com vinte e um tiros de canhão.

 

Maria Quitéria, a heroína da Independência do Brasil, representada por Augustus Earle, o mesmo desenhista que acompanhou Charles Darwin no Beagle. Ilustração publicada no livro de Maria Graham, em 1824. Maria Quitéria usava um saiote escocês, que ela adotou, inspirada em uma ilustração que ela viu de um highlander.

 

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Monumento Lisboa

Monumento a D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil), em Lisboa. Herói de duas nações. D. Pedro restabeleceu o governo constitucional, em Lisboa, usurpado por seu irmão D. Miguel.

 

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